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Visitantes








Veio, num órgão de comunicação, cá da região esta informação. Ainda que isto da vitalidade dos museus não deverá ser medida pela quantidade de visitantes, lamentamos essa realidade. Haverá, é claro, causas muito diversas para que tal aconteça. Desde logo a programação… Pela nossa parte, encaminhamos sempre o pessoal para lá ou não tivéssemos trabalhado nessa instituição tantos anos. Entretanto fazemos aqui um apelo para os amigos (contam-se por centenas) da instituição, principalmente os que se encontram organizados na prestimosa associação, que comecem a visitar o Museu, acompanhados sempre de um familiar pagante. Era uma grande ajuda para a estatística da instituição que amanhã inaugura uma interessante exposição de têxteis (cuecas, fatinhos, ceroulas, etc, etc) do passado, autêntico património do presente e do futuro que decerto levará, centenas de pessoas a ultrapassar o portão do velho palácio episcopal para contemplarem estas peças e as nossas maravilhosas colchas.

Roteiro do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior: algumas impressões rápidas

Já tinha avisado que iria colocar neste espaço alguns comentários acerca do novel roteiro das colecções do Museu Albicastrense. Aliás trata-se de uma publicação que fala muito pouco das colecções. Como tal o título acho que deveria ser outro. Aliado a este facto, verifica-se uma tentativa de apagar da história do Museu períodos muito bem localizados, como sejam as directorias de António Elias Garcia, António Salvado e Clara Vaz Pinto. Sim porque as obras são sempre associadas aos dirigentes que às vezes mesmo tendo pouco a ver com elas. Fala-se demasiado em D. Fernando de Almeida e do seu "reinado" quase o pondo no top. Mas esquecem-se as autoras que corresponde a este período o mais negro da vida do Museu. Sim porque, anteriormente, e para além das enormes dificuldades porque o Museu passou, nunca se assistiu ao descontrolo e aos roubos (talvez "desvios") que nunca ficaram bem explicados, melhor sempre ficou no ar uma certa suspeita no ar, mas eram outros tempos. O descontrole chega ao ponto de se fazerem permutas(?) entre epigrafes de Idanha-a-Velha e Castelo Branco, em suma um farrobodó. Aparentemente, este é o periodo a que as autoras mostram a sua predilecção. Não fazem apontamento das dificuldades sem fim sentidas pelo Tenente-Coronel Elias Garcia que anos a fio foi aguentando o Museu aberto e com alguma dignidade recorrendo á sua carteira. De António Salvado nem é preciso falar muito, basta ir à imprensa regional e nacional. De Clara Vaz Pinto também se fala pouco (os nomes destes directores nunca são citados nesta obra que possui um capítulo dedicado à história do Museu), talvez por outras razões.
Aliado a todo este panorâma as ausências e as imprecisões. Não sabia que o Museu tinha tutelado o Castelo de Castelo Branco. Que se saiba o Museu tutelou os castelos de Belmonte, Belver, Amieira do Tejo, convento da Flor da Rosa e a estação arqueológica de Idanha-a-Velha. Já agora Belmonte não pertence ao concelho da Covilhã como deixa transparecer as legendas de certas fotografias. Outra expressão que ainda estou por entender é essa de espólio de "ferreiro" referindo-se aos materiais da Idade do Bronze de Castelo Novo.
E minhas senhoras o que se passa com a epigrafia portuguesa? O constante esquecimento desta colecção começa a preocupar este amante da mesma.
O facto de haver uma errata sobre a identidade das autoras dos capítulos é sinal que não sei interpretar.
Mas como numa moeda, em que existem duas faces, também tenho a dizer algo do que gostei neste roteiro. E são duas. O capitulo sobre as tecnologias do linho e da seda e as fotos que são soberbas.

Roteiro do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior




Ainda vamos falar muito deste livro neste blog. Nos próximos dias haverá novidades.

ONDE É QUE ANDARÁ A LÁPIDE FUNERÁRIA DO SOLDADO BRITÂNICO?















Na década de trinta do passado século encontrou-se algures na Freguesia de Sarzedas (Concelho de Castelo Branco) uma inscrição latina, em xisto. Em 1938 entraria para as colecções do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, de Castelo Branco, através de diligências do seu terceiro director, Tenente-Coronel Elias Garcia que assim salvaguardaria para o futuro, pensava, uma das fontes mais originais da História da Militar da região. O epitáfio Tomás Stewart, militar do Regimento 31 do Exército Inglês que morreu próximo de Castelo Branco no dia 19 de Agosto de 1810, com a idade de 20 anos (como se epigrafou) é uma peça epigráfica única na Beira.

Na década de sessenta Luís Pinto Garcia publicaria, na revista Estudos de Castelo Branco, o ensaio “Uma lápide funerária de um soldado britânico” difundindo-se esta originalidade epigráfica pelo País e pelo estrangeiro. O texto seria republicado em finais de setenta conjuntamente com outro da mesma autoria numa edição do Museu.

Aquando da direcção de Fernando de Almeida já com o Museu situado no antigo palácio episcopal, a lápide seria incluída na sua secção de epigrafia portuguesa. Anos depois, a notável inscrição fazia parte de um discurso pedagógico junto das escolas (sim que isto das pedagogias museológicas não é ‘invenção’ de hoje como alguns e algumas querem fazer crer). Nos tempos da direcção de António Salvado, assistimos (era funcionário da casa com muito orgulho) ao ‘aproveitamento’ da lápide em inúmeras visitas de estudo das escolas. E já agora, também as Invasões Francesas, principalmente a 1ª., mereceram a devida atenção por parte do então responsável máximo por esta instituição da cidade e da região. Tempos dirão. Pois, pois.

O Museu de Francisco Tavares Proença Júnior entraria durante a década de 90 em profundas obras de reabilitação e de redefinição do discurso expositivo. Foi infelizmente, a nosso ver, uma intervenção, castradora da história arquitectónica do monumento. Escusada. Por exemplo, destruíram-se painéis setecentistas dos azulejos…Nesta ‘revolução’ museográfica dominada pelos bordados e afins, a inscrição em causa foi transportada para o exterior do edifício. Encostada a um contentor do estaleiro, lá foi ficando sujeita aos rigores dos elementos e ao desprezo dos doutos técnicos. Alguns funcionários avisaram a direcção sobre os perigos que assolavam a inscrição. Mas nada. A drª. Clara Vaz Pinto queria lá saber de lápides. Se nem as romanas, quanto mais as britânicas… Até que, um dia, a coisa deu-se. Por descuido e por irresponsabilidade a lápide partiu-se em bocados. “Ai Jesus. E agora?”. Lá pegaram nos fragmentos, viajando a coisa até Conimbriga a fim de ser convenientemente restaurada. Até hoje.

Quando é que esta importante fonte da história das Invasões francesas regressará da sua forçada estancia coimbrã?


PS.- Na renovação dos anos oitentta, as linhas expositivas propostas pela direcção e pelos técnicos de então (algum ou outra por lá ainda anda) foram as seguintes:

Exposição permanente
Memórias do Bispado: iconografia religiosa; retrato.
Tecnologias têxteis tradicionais: Linho.
Tecidos Bordados: Paramentaria; traje; colchas.

Pois bem. Esta lápide poderia ter ‘colado’ muito bem às memórias do Bispado? Mas faltou (como falta?) o engenho e a acima de tudo a arte:- A arte de conhecer e de imaginar.

No blog O ALBICASTRENSE do nosso amigo Veríssimo Bispo este assunto será retomado