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Prepotências

Ontem fui à delegação regional do ex-IPPAR de Castelo Branco a tratar de assuntos relacionados com isenções fiscais de imóveis classificados e aproveitei para tentar falar com o Engº José Afonso. Como não estava referi o assunto a uma tècnica superior(?). O assunto era nem mais nem menos a minha preocupação com a segurança do espólio epigráfico de Idanha-a-Velha. Mal comecei a falar fui logo confrontado pela senhora que eu nada tinha a ver com o assunto, que falar no assunto só dava conhecimento aos eventuais ladrões e que as obras eram programadas e feitas por gente acima de toda suspeita, científica e de competência. Resultado, eu só tinha de calar e pronto.
Ao que chegou este país. Como é sabido as obras do IPPAR em Idanha-a-Velha podem ter muita coisa, mas uma não têm que é qualidade. Nenhuma das obras feitas foi acabada. Pediram responsabilidades às empresas que efectuaram os serviços? Se sim, estas fizeram orelhas moucas. Têm fiscalizado as obras que os particulares fazem clandestinamente em Idanha-a-Velha? Se sim, nunca vi nenhum processo no Ministério Público, e as obras vão sendo acabadas sem que eles façam nada.
Moral da história:
1- Eu tenho de me calar;
2- No ex-IPPAR nunca se enganam e nunca têm dúvidas, são uns iluminados;
3- Descobri que o mau da fita sou EU.

É proíbido abrir o túmulo de D. Afonso Henriques

A Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, deu o não definitivo à abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, localizado na igreja de Santa Cruz na baixa coimbrã.
Deste nosso cantinho da Beira Interior, não compreendemos nem as razões da Ministra nem do Conselho Consultivo do ex-IPPAR. Pensamos até que estão a querer esconder algo ou a guardar este projecto para algum protegido. Assim não saimos da cepa torta, e ainda anda gente do governo a falar em educação e investigação. Quanto ao ex-IPPAR devia-se de preocupar mesmo era em defender e reprimir os atentados diários ao nosso património cultural, mas para quê, até já não existem. Sempre é mais fácil meterem-se com gente de bem, que com a outra a coisa pode ficar perigosa.

Valha-nos, sei lá quem, no Dia Mundial dos Museus.

A última obra do ex-IPPAR em Idanha-a-Velha

Há algum tempo atrás, tinha feito neste espaço a denúncia de obras mal realizadas e inacabadas, lançadas pelo IPPAR e pela autarquia idanhense. Passado que é algum tempo, considerável, e como o caso tenha caído em saco roto, venho uma vez mais, desta vez com fotos ilustrar o que na altura deixou alguns leitores cépticos. Como se pode comprovar pelas fotos as oliveiras secaram e estão a meter nojo. O tanque está mal feito e desde o primeiro minuto que perde água, o que pode ser comprovado também pela foto. A iluminação não funciona há largos meses, nem a que provem do solo, que ainda funcionou bastante tempo, nem a dos candeeiros novos, que nem foram pintados nem ligados á rede, portanto nunca funcionaram. O sistema de água do tanque também há largos meses está inactivo. O bebedouro é uma armadilha para molhar pessoas, tal a pressão que tem.
Penso que tenho razão ao denunciar tudo isto, aliás está tudo fundamentado, ninguém pode virar as costas dizendo que se trata de política. Já agora o que se passa com o acumular de restos de obras, clandestinas, junto da ponte, dita romana? E o lixo ao cimo da Rua de Guimarães lá posto há meses na via pública?
Nem IPPAR, nem Câmara nem Junta dizem nada?

Palavras para quê?

Tapada das Poldras (Idanha-a-Velha). Acompanhamento de obra


O Sr. arquitecto José Afonso, diligente director do extinto IPPAR, dá hoje uma entrevista ao Diário XXI a propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Vale a pena passar os olhos sobre estas páginas pois ficamos inteirados de vez sobre qual é o posicionamento doutrinário do Sr. arquitecto no respeitante a conceitos e filosofias do património. Li três vezes a peça. Confirmei os nomes e as datas: Estamos mesmo no dia 18 de Abril de 2007, Hemisfério norte, Europa, Portugal e a entrevista é ao Sr. arquitecto José Afonso. As respostas. Bom. Aceitam-se. Afinal o ex-ippar está em gestão corrente, logo desculpam-se estas coisas. E ficámos sempre a saber do futuro do arquitecto que se assume como pai da preservação do património da BI e promete continuar a lutar pela causa. Não duvidamos.

- Caso seja convidado, está disponível para continuar o trabalho à frente da futura delegação?
– Estou na direcção regional do IPPAR de Castelo Branco desde a fundação e é quase uma «filha» para mim. Ao longo da minha vida profissional na função pública sempre me dediquei com enorme paixão. Continuarei a bater-me pela causa do património, não obstante o cargo que ocupe.
-Está a fugir à questão?

– Limito-me a dizer o que, de momento, me parece mais indicado.


Depois o outro é que era dado a tabus. Para a próxima vez que estiver com ele, juro que lhe vou perguntar duas coisas: O porquê da sua visão economicista do património que é muito discutível e exagerada. Carros são carros. E o património não são só pedras. E como é que a A 23 é o eixo patrimonialista do território? Entre as cidades e o resto do território há mais rotas para além dessa ou não?

O ex-IPPAR ainda mexe



O pessoal anda sem graça pelas saídas que certos organismos moribundos. O ex-IPPAR que nesta altura deveria estar quedo e calado, por estar por demais desautorizado, lá vem outra vez com um parecer para a Ministra da Cultura, no sentido de esta não autorizar a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques. Esta já é a segunda vez que tal acontece. Na primeira ainda conseguiamos vislumbrar uma razão para o mesmo, que seria a participação do nosso primeiro rei no programa da RTP dos melhores portugueses, não fosse o fundador ser um homem pequenoe raquitico, bem diferente daquilo que a história oficial nos foi contando. Agora esta segunda recusa, só pode ter a ver com interesses científicos menos claros e com invejices de capela. Travar desta maneira um projecto internacional não se compreende, e até já é motivo de chacota em universidades além fronteiras. Como sempre somos provincianos e tolos. Gostamos de dar nas vistas pelos piores motivos. O IPPAR se quer protagonismo não é preciso chatear-se muito, mande para o Ministério Público os atentados e as obras ilegais feitas em cima de Monumentos Nacionais e decerto que teria muito que fazer. Mas não o IPPAR continua na senda do "nem faz, nem deixa fazer" e assim se vão justificando uns belos tacos de conhecidos e conhecidas que fofocam no serviço na vez de estarem em campo a cumprirem a sua missão. Este IPPAR é mau demais...
(Imagem do site da Paróquia de Santa Cruz deCoimbra)

Lembrança



Apresentamos a capa da separata relativa ao distrito de Castelo Branco da obra «Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado», edição promovida pelo defunto IPPAR em 1993,que teve como coordenação geral o arquitecto Flávio Lopes. Eram outros os tempos sem dúvida. Por exemplo, a cultura ao nível governamental, era uma simples Secretaria de Estado. A sede «regional» situava-se então em Coimbra sob a batuta de Maria Manuela Barata. Veio o governo do Senhor ENGENHEIRO António Guterres com o ideário da regionalização cultural e outras. Num exemplar esforço de descentralização surgiram com o Ministro Carrilho as delegações regionais do IPPAR sedeado em Castelo Branco e do rocambolesco IPA com sede na Covilhã. Distribuiu-se, assim, a gestão da do património por duas equipas cujo trabalho, parece-me, deverá ser, realisticamente, avaliado. A bem de todos, dos dirigentes, dos técnicos (alguns a recibo verde), das autarquias, das comunidades em geral, meus senhores, façam contas com a vossa ilustre memória funcional. Temos vindo a repetir (e toda a gente o diz à boca pequena) que a real (não a idealizada) situação actual do património de natureza arqueológico, construído ou monumental não é famosa. Dirão: Se cá não estivesse o IPA ou o IPPAR tudo estaria pior. Será mesmo assim? Pois bem. Eu como contribuinte pergunto: gostaria de ser informado o que é que andaram a fazer nestes anos todos. Já sei que lançaram obras de reabilitação, analisaram muitos projectos, deram muitas autorizações para prospecções arqueológicas, entreteram-se em congressos, mesas redondas e afins... E que mais? Falámos com muitas Câmaras e andamos de GPS na mão a relocalizar arqueossitíos (neste caso, alguns até foram alvo de georeferenciação no Verão e no Inverno…). Mas está tudo bem melhor é verdade. Mas sabem porquê? Porque a sociedade no seu todo também já está melhor. Agora que como beirão, me custa ver a minha região na subserviência operacional de Coimbra. Dirão também: Fica tudo na mesma. O mundo está cada vez mais pequeno e tudo está à distância de clic. Sim, sim. Voltemos à separata. Total dos Imóveis Classificados e respectivos graus de classificação- Castelo Branco: Monumentos Nacionais: 7;Imóveis de Interesse Público 48; Valor concelhio 6. Há mais classificados era só o que faltava se não. Mas basta dar uma volta pelas zonas envolventes dos que estavam classificados em 1993, para chegarmos hà triste constatação que a dita cuja presença e proximidade do IPPAR junto dos seus objectos se sentiu muito pouco ou nada. Quanto ao IPA … Por exemplo, essa da ‘doideira’ da georeferenciação e relocalização para engrossar currículos pessoais, entre outras, fica para outro dia.

Facto

COIMBRA-MAIS UM

INTERIOR-UM A MENOS.

MUDANÇAS ?



IPAAR mais IPA=IGESPAR= Menos uns "taxos" e mais centralismo

Apregoam aos sete ventos que vai haver mudanças. Muito bem. Mas que mudanças? De caras, de geografias, de móveis ou de atitudes e de práticas de trabalho? Quiçá, quiçá, quiçá.

Nunca nos esquecemos da frase reproduzida no filme “o Leopardo” de Lucino Visconti :"As coisas precisam mudar para continuar as mesmas". Pois é.

Entretanto, o grande mister Bean que também é muito dado a estas coisas dos monumentos e das antiguidades, também resolveu mudar. Coincidências temporais…. Reparem só na expressão facial de mister Bean ao contemplar as ditas "mudanças"