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Bibliografia da Senhora do Almortão 3



(Desenho de Fernando de Almeida)

Fernando de Almeida, «Igaedus. Divindade lusitana e a Senhora do Almortão», in Revista da Faculdade de Letras, 8, Lisboa, 1964, p. 65-73.

Ainda a propósito de Igaedus e da Senhora do Almortão referenciamos um importante texto de Fernando de Almeida dado à estampa há já alguns anos. Pela quantidade de pistas e de pertinentes observações que fornece o texto não perdeu actualidade. Pelo contrário continua a ser dos ensaios mais citados na bibliografia epigráfica de hoje quando se discorre sobre o fenómeno das ditas divindades indígenas.

A ara, encontrada junto ao santuário durante umas obras, foi levada para fora do concelho. Apesar de D. Fernando ter escrito que «a lápide estava para ali arrumada, à espera de mais triste sorte, quando a topou o benemérito coleccionador de antiguidades e nosso bom amigo Joaquim Trigueiros de Aragão; recolheu-a e levou-a para a sua casa de Idanha-a-Nova, onde se encontra», a ara viajou para Alcains. Há uns anos ainda lá estava. À porta de um solar de descendentes dessa família servia de suporte a um vaso. Um destes dias, quando voltámos a passar por lá já não a vimos. Continuará em Alcains? E se sim porquê? O ex-IPA não fez nada quanto a este assunto. Foi pena. Se calhar ficaram sem satélite do GPS… Pela indicação de Fernando de Almeida, o sr. Joaquim Trigueiros de Aragão era um «benemérito coleccionador». Coleccionador do quê? A realização da exposição poderia ter sido a ocasião da devolução deste património. Infelizmente tal não aconteceu. Fica para a próxima. È sempre. Para quando o regresso desta raridade epigráfica romana a terras dos antigos Igaeditani? Também é verdade, se for só para fazer número (nos depósitos ) é melhor que continue em parte incerta…

Bibliografia da Senhora do Almortão 2



Maria José Couchinho Fazendas Tapadas, Senhora do Almortão. Minha tão linda arraina, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Castelo Branco, 1997, 28 p.


A nosso ver o inovador estudo de Firmino Crespo, Senhora do Almortão-Cancioneiro coligido e precedido de estudo histórico-literário, datado de 1963 foi sem desprimor para os posteriores, o melhor trabalho que até hoje foi editado a propósito desta romaria e do seu santuário. Hoje é uma raridade bibliográfica e seria interessante que a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova procedesse à sua reedição. Era uma boa maneira de homenagear um importante filho da terra.

Fazemos agora referência a um trabalhinho (o diminutivo é positivo) de autoria de Maria José Tapadas realizado quando concluiu os estudos do ciclo-Nocturno pelo Sistema da Unidades capitalizáveis» na Escola José Silvestre Ribeiro de Idanha-a-Nova. A autora recolhe a lenda, descreve a romaria e, principalmente, debruçou-se sobre os vestidos da Senhora: os Mantos. Aponta os mantos ricos, como aquele de seda natural e bordado a ouro fino oferecido em meados do século XIX a Nossa Senhora por Joaquim Trigueiros de Aragão e por sua mulher Angélica Aragão da Costa Ornellas. Contribuição muito interessante para os outros patrimónios da Confraria. Escreveu a autora:

«Dedico este trablho

À Senhora do Almortão.

Deixo aqui uma prova

Da minha veneração.»

A impressão deste opúsculo era um “sonho” como diz Maria Tapadas, sonho que a Senhora de certeza ajudou a concretizar.

Bibliografia da Senhora do Almortão 1



António Silveira Catana, A romaria da Senhora do Almortão. Ontem e na viragem do milénio, edição de Autor, Castelo Branco, 1995,75 p.

Reproduzimos a capa de um ensaio de autoria de António Silveira Catana sobre a romaria de Nossa Senhora do Almortão. Datada de 1995, o autor apresenta numa linguagem simples e acessível, a história do santuário beirão e, principalmente, todas as alterações aí detectadas quando compara o «ontem» com a viragem do milénio. Interessantíssimo é a edição do Cancioneiro. São 129 quadras que o autor apresenta começadas a recolher quando o autor tinha dezassete anos, como fez questão de salientar. A presença do adufe na ritualidades de Almortão é uma persistência cultural impar no País. Quanto a este aspecto, fazemos nossas as palavras de Alberto Sardinha que assina:

“(…) é justo dizer que a conservação dessa interessantíssima tradição (refere-se ao uso do Adufe no ritual) se fica a dever, em grande parte, à meritória actividade que ele e o Rancho Etnográfico de Idanha-a-Nova têm desenvolvido, bem como à acção extraordinária do pároco da freguesia, Sr. Padre Adelino, que tão bem compreende e aceita a necessidade do ludismo popular integrado na fé e na religião. Tanto a um como a outro os vimos cantando as alvíssaras, misturados por entre o povo que enchia o alpendre, e como ele galvanizados na emoção do cântico e na vibração dos adufes.» Foi, e é verdade.